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O modo long-play do Urbanascidades, desde 02.02.2012.
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Por que Long Play? Versão mais "cool", para ser saboreada ao som de um "smooth jazz", com textos que aprofundam os temas, para Urbanautas que tem um tempinho a mais.

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quarta-feira, 21 de março de 2012

Aniversário do Urbanascidades


Hoje, 21 de março de 2012, o Urbanascidades comemora dois anos da primeira postagem publicada. Iniciamos a festa homenageando os Urbanautas. Convidei algumas celebridades para ajudar a abrilhantar a festa, cantando os parabens para voces.








E para finalizar o nosso sarau musical Lou Reed e seus amigos nos explicam porque hoje é um dia perfeito.


Apenas um dia perfeito
Bebendo sangria no parque
E então mais tarde quando escurecer
Nós iremos para casa
Apenas um dia perfeito
Alimentando os animais no zoológico
E então mais tarde
 Um filme também
Depois iremos para casa
Oh, isto me parece um dia perfeito
E eu estou contente por estar passando ele com você
Oh,me parece um dia perfeito
Você apenas me deixa no ar
Você Apenas me deixa no ar
Apenas um dia perfeito
Problemas deixados de lado
Finais de semana somente nós
Isso parece divertido
Apenas um dia perfeito
Você me fez esquecer eu mesmo
Eu pensava que eu era qualquer um,uma pessoa boa
Oh, isso me parece um dia perfeito
E estou contente por estar passando ele com você
Oh, parece um dia perfeito
Você apenas me deixa no ar
Você apenas me deixa no ar
Você irá colher o que você plantou
Você irá colher o que você plantou
Você irá colher o que você plantou
Você irá colher o que você plantou

Continuando nosso sarau cultural, vamos apresentar algumas poesias e textos com o tema "Aniversário".

Poema de Aniversário, de Vinícius de Moraes
Porque fizeste anos, Bem-Amada, e a asa do tempo roçou teus cabelos negros, e teus grandes olhos calmos miraram por um momento o inescrutável Norte…
Eu quisera dar-te, ademais dos beijos e das rosas, tudo o que nunca foi dado por um homem à sua Amada, eu que tão pouco te posso ofertar. Quisera dar-te, por exemplo, o instante em que nasci, marcado pela fatalidade de tua vinda. Verias, então, em mim, na transparência do meu peito, a sombra de tua forma anterior a ti mesma.
Quisera dar-te também o mar onde nadei menino, o tranquilo mar de ilha em que me perdia e em que mergulhava, e de onde trazia a forma elementar de tudo o que existe no espaço acima – estrelas mortas, meteoritos submersos, o plancto das galáxias, a placenta do Infinito.
E mais, quisera dar-te as minhas loucas carreiras à toa, por certo em premonitória busca de teus braços, e a vontade de grimpar tudo de alto, e transpor tudo de proibido, e os elásticos saltos dançarinos para alcançar folhas, aves, estrelas – e a ti mesma, luminosa Lucina, e derramar claridade em mim menino.
Ah, pudesse eu dar-te o meu primeiro medo e a minha primeira coragem; o meu primeiro medo à treva e a minha primeira coragem de enfrentá-la, e o primeiro arrepio sentido ao ser tocado de leve pela mão invisível da Morte.
E o que não daria eu para ofertar-te o instante em que, jazente e sozinho no mundo, enquanto soava em prece o cantochão da noite, vi tua forma emergir do meu flanco, e se esforçar, imensa ondina arquejante, para se desprender de mim; e eu te pari gritando, em meio a temporais desencadeados, roto e imundo do pó da terra.
Gostaria de dar-te, Namorada, aquela madrugada em que, pela primeira vez, as brancas moléculas do papel diante de mim dilataram-se ante o mistério da poesia subitamente incorporada; e dá-la com tudo o que nela havia de silencioso e inefável – o pasmo das estrelas, o mudo assombro das casas, o murmúrio místico das árvores a se tocarem sob a Lua.
E também o instante anterior à tua vinda, quando, esperando-te chegar, relembrei-te adolescente naquela mesma cidade em que te reencontrava anos depois; e a certeza que tive, ao te olhar, da fatalidade insigne do nosso encontro, e de que eu estava, de um só golpe, perdido e salvo.
Quisera dar-te, sobretudo, Amada minha, o instante da minha morte; e que ele fosse também o instante da tua morte, de modo que nós, por tanto tempo em vida separados, vivêssemos em nosso decesso uma só eternidade; e que nossos corpos fossem embalsamados e sepultados juntos e acima da terra; e que todos aqueles que ainda se vão amar pudessem ir mirar-nos em nosso último leito; e que sobre nossa lápide comum jazesse a estátua de um homem parindo uma mulher do seu flanco; e que nela houvesse apenas, como epitáfio, estes versos finais de uma cançâo que te dediquei:
“… dorme, que assim
dormirás um dia
na minha poesia
de um sono sem fim…”

Poema para o meu quadragésimo terceiro aniversário, de Charles Bukowski
Tradução de Alice Dias
acabar solitário
na sepultura dum quarto
sem cigarro
ou vinho
apenas uma
lâmpada
e uma pança
cinza e peluda
e
feliz
por estar numa espelunca.
… pela manhã
eles estão lá fora
ganhando grana:
juízes, carpinteiros
encanadores, doutores
jornalistas, policiais,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
taxistas…
e você
se vira para o lado
para que o sol que vai de encontro
aos seus olhos
seja desviado
para que você sinta a luz solar
nas suas costas repousar.

O carteiro trouxe um cartão de aniversário para Pablo Neruda. A resposta do mestre.
Sucede que me canso de ser hombre.
Sucede que entro en las sastrerías y en los cines
marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro
Navegando en un agua de origen y ceniza.
El olor de las peluquerías me hace llorar a gritos.
Sólo quiero un descanso de piedras o de lana,
sólo quiero no ver establecimientos ni jardines,
ni mercaderías, ni anteojos, ni ascensores.
Sucede que me canso de mis pies y mis uñas
y mi pelo y mi sombra.
Sucede que me canso de ser hombre.
Sin embargo sería delicioso
asustar a un notario con un lirio cortado
o dar muerte a una monja con un golpe de oreja.
Sería bello
ir por las calles con un cuchillo verde
y dando gritos hasta morir de frío
No quiero seguir siendo raíz en las tinieblas,
vacilante, extendido, tiritando de sueño,
hacia abajo, en las tapias mojadas de la tierra,
absorbiendo y pensando, comiendo cada día.
No quiero para mí tantas desgracias.
No quiero continuar de raíz y de tumba,
de subterráneo solo, de bodega con muertos
ateridos, muriéndome de pena.
Por eso el día lunes arde como el petróleo
cuando me ve llegar con mi cara de cárcel,
y aúlla en su transcurso como una rueda herida,
y da pasos de sangre caliente hacia la noche.
Y me empuja a ciertos rincones, a ciertas casas húmedas,
a hospitales donde los huesos salen por la ventana,
a ciertas zapaterías con olor a vinagre,
a calles espantosas como grietas.
Hay pájaros de color de azufre y horribles intestinos
colgando de las puertas de las casas que odio,
hay dentaduras olvidadas en una cafetera,
hay espejos
que debieran haber llorado de vergüenza y espanto,
hay paraguas en todas partes, y venenos, y ombligos.
Yo paseo con calma, con ojos, con zapatos,
con furia, con olvido,
paso, cruzo oficinas y tiendas de ortopedia,
y patios donde hay ropas colgadas de un alambre:
calzoncillos, toallas y camisas que lloran
lentas lágrimas sucias.

Para concluir nossa festa, gostaria de pedir a alguns dos quase 77000 visitantes que proporcionaram mais de 115000 visualizações de página destas mais de setecentos e cinquenta postagens publicadas no URBANASCIDADES um singelo presente: que façam no nosso aniversário comentários sobre o blog, nossa linha editorial, sobre o autor, sugestões de pauta, críticas e/ou elogios. Serão todos considerados e respeitados. 
Até o próximo aniversário e vejam quem eu chamei para cortar o bolo.

3 comentários:

Janice Adja disse...

Parabéns!
Sucesso.
Beijos!

Francy disse...

Parabéns!!!
Que venham muitos anos mais, para o nosso deleite!!!
abs,

Raul Campani disse...

Parabéns!

Eu sei que não é fácil manter um blog por muito tempo, necessita muita persistência, trabalho e dedicação.
Que continues mantendo sua produção, colaborando a divulgar cultura nessa rede democrática que é a internet.

Um abraço,
Raul Campani
campanicultural.com.br

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